• ''Em Davos o clima é tropical. Temos chances de avançar", diz Furlan

    23/01/2004

    O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirma que o principal objetivo de sua passagem pelo Fórum Econômico Mundial é atrair investimentos que gerem empregos no Brasil.

    Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro diz que oportunidade como a de Davos revela-se rara, já que em poucas ocasiões é possível reunir personalidades tão importantes do mundo empresarial.

    Furlan lembra que no ano passado esteve no fórum para “contornar um problema”. Em 2003, recorda o ministro, as projeções equivocadas a respeito de como a economia seria conduzida geraram muita desconfiança em relação ao Brasil. “Este ano vim esclarecer que a economia entrou nos eixos e tem tudo para dar certo, em especial àqueles que pretendem investir no Brasil”, reforça.

    Luiz Fernando Furlan destaca que o encontro de Davos possibilita a retomada de assuntos importantes para as negociações internacionais, das quais o Brasil faz parte, entre elas as da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Enquanto em Cancún, no México (local da última reunião ministerial da OMC), o clima ficou gelado, aqui em Davos é tropical. Temos chances de avançar em vários pontos”, ressalta.

    Para o ministro, o Fórum Econômico Mundial serve, ainda, de reforço aos laços criados com outros países. “Algumas das nossas idéias são disseminadas e ganham corpo”, diz. Como exemplo, Furlan cita o Egito que, ao lado do Brasil e da África do Sul, integra o G-3, grupo formado para combater práticas protecionistas das nações ricas na área agrícola.

    Avanços

    O ministro do Desenvolvimento explica que a conversa mantida com o ministro da Economia da Suíça, Joseph Deiss, que teria dito que está aberto a conversações que podem beneficiar o Brasil, como a que prevê a redução de subsídios dos países europeus às exportações, foi boa. Furlan pondera, no entanto, que os europeus exigem que as compras governamentais sejam mais transparentes e que se estabeleçam, com certa formalidade, as facilidades de comércio. “Perto do resultado de Cancún, essa predisposição para o diálogo é positiva”, completa, ressaltando que não pode haver, de modo algum, subsídios à produção de commodities – pouco valor agregado – disfarçados de apoio àqueles que produzem peças típicas de culturas locais, como o “queijo ou chocolate dos Alpes suíços”.

    “Graças à estrutura de Davos”, Furlan diz que conversará com o representante dos Estados Unidos que trata de alguns problemas comerciais, como o do camarão. O órgão americano está restringindo a entrada desse tipo de pescado brasileiro. Eles alegam que os produtores estão combinando preços baixos, aquém dos de custo, para vender nos Estados Unidos e enfraquecer os produtores locais, isto é, um suposto caso de dumping.

    Fonte: Agência Brasil